Sou tudo aquilo que escrevo.Não há melhor forma de me conhecer.Nas palavras encontrei todos os sentidos.Nos gestos descobri todas as emoções. No amor descobri a vida em mim.Tudo em mim é mar, calmo ou violento, quando olharem esse azul imenso de água pleno, relembrem as palavras que escrevi, esse é o segredo de estar aqui.
Terça-feira, 26 de Junho de 2007

Ornatus Violeta


Capitão Romance

"Nao vou procurar quem espero
se o que eu quero é navegar
pelo tamanho das ondas,conto nao voltar
parto rumo à primavera
que em meu fundo se escondeu
esqueço tudo do que eu sou capaz
hoje o mar sou eu
esperam-me ondas que persistem
nunca param de bater
esperam-me homens que desistem, antes de morrer
por querer mais do que a vida
sou a sombra do que eu sou
e ao fim nao toquei em nada
do que em mim tocou
eu vi,mas nao agarrei
parto rumo à maravilha
rumo à dor que houver pra vir
se eu encontrar uma ilha
paro pra sentir
e dar sentido á viagem
pra sentir que eu sou capaz
se o meu peito diz coragem
volto a partir em paz"
Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

O Poema do meu aluno Pedro depois de ler um poema de Pessoa..

Era uma vez um amor
pousado no ramo de uma árvore
onde costumava passar os dias
Sentia-se um amor normal
como todos os amores, honesto
sensível, carinhoso, atencioso
e muito meigo e amigo

Esse amor cantava e sorria
por vezes também se sentia triste
e até chorava, mas tudo acabava
por ficar bem, e voltava a cantar
e a sorrir

Num belo dia de Verão estava o amor
como todos os dias, pousado no seu
habitual ramo de árvore, quando outro amor
pousou no mesmo ramo, da mesma árvore
olharam-se, sorriram um para o outro,
e apaixonaram-se, sem que nada o fizesse
prever sairam os dois voando, voando muito alto
e para muito longe, em direcção ao sul,
onde o clima é propicio à paixão

Desde esse dia, o amor nunca mais
pousou no ramo da árvore
O tempo passava e o ramo da árvore
continuava à espera do amor que durante
tanto tempo nela pousara.
Triste, e sem a companhia de que
tanto gostava, o ramo da árvore
começou a secar.

Chegou o Inverno
e o amor sem voltar a pousar
no ramo da árvore.
O ramo estava seco de tanta tristeza
pois tinha-lhe oferecido a sua resistência
quando os ventos fortes no Inverno sopravam,
abrigo nas noites frias, sombra no Verão
escaldante e beleza na Primavera.
No entanto, o amor não aparecia, parecia esquecido.

Um dia, já sem esperança,
com um olhar muito cansado,
Viu um ponto negro ao fundo
no céu azul, vindo do sul.
- Será o meu amor? perguntou o ramo
da árvore com o coração a bater cada vez
mais forte
Mas a tristeza assolou-o então, ao ver que
afinal era um mensageiro vindo do sul.

O mensageiro pousou no ramo da árvore
e perguntou-lhe:
- Tu é que és o ramo da árvore?
- Sim! respondeu a tremer de emoção
- Trago-te uma mensagem do amor.
O coração do ramo da árvore estremeceu
e o mensageiro disse então:
- O amor que em ti pousava morreu,
mas deixou um último desejo.

Que fiques forte, saudável e resistente
aos dias ventosos, que a folhagem
te cresça, para aqueceres no Inverno
e no Verão ofereceres a tua fresca
sombra, e na Primavera que sejas
o ramo de árvore mais bonito, se
assim o fizeres outro amor em ti
pousará e não mais se esquecerá
quando em direcção ao sul voar.

O ramo da árvore
deixou cair uma lágrima, inspirou a brisa
e murmurou:
-Não se esqueceu.

"Dedico este meu poema à minha querida e inesquecível professora de Inglês do 6º ano

1/8/2000, Pedro"

É bom ter quem nos recorda com carinho.

Anamel
Pensamentos: ,
Abrigo por Anamel às 22:43

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O poema do Xavier.. há muitos anos atrás..

Num pomar
te pu-
de saber
Tronco nu
de mulher
P´la seiva
Te pude provar
Se que deseja

Ninguém soube
eu sei
Quanto sob
a maciei-
ra fomos
Como eram
e souberam
Os teus pomos

Nem sábios
Sabem os lábios
Desse (doce) gosto
Como das tuas
As duas
Maçãs do rosto
Sabem bem
Não sabe ninguém

Nem saberão
como depois
sob a copa
em cópu-
la depois
Quão
uno outro
soube o teu corpo

Quem sabe
onde cabe
tanto amor
quanto acho
no cacho
dos teus seios
tão cheios
de sabor.

Évora, 14 de Novembro de 1993

Do meu querido Xavier, nos tempos da Universidade de Évora, um verdadeiro artista.
Pensamentos:
Abrigo por Anamel às 22:43

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Memórias de uma minha aluna, nos anos idos de 2000..

Aqui estou eu
que ideia me deu
mesmo sendo avó
eu queria estudar

Adiante levei esse meu desejo
e hoje terminado
a quem me ensinou
eu digo obrigado

Com a professora Rita
sempre sorrindo
e cara engraçada
matemática aprendi
e não custou nada

Sorte lhe desejo
para o seu futuro
Mamã vai ser
terá para sempre
um amor puro

Professora Helena
deu o português
eu até gostei
mas a tal história
a todos baralhou
coceira me deu
que sono me fez

Mas com o seu esforço
mais um pouco aprendi
hoje estou mais rica
graças a si

E não me esqueci
do inglês
professora Zélia
que esforço fez

Bem me explicava
e exemplos me dava
mas na minha cabeça
pouco ou nada ficava

E para não esquecer
a partir de agora
os meus colegas
vou enumerar

O menino Pedro
aqui veio parar
vindo de outra escola
é um bom 'malandro'
mas é bom rapaz
e está sempre a brincar

Pelo caminho
colegas ficaram
mas têm também
o meu carinho

A menina Idália
muito concentrada
tinha certas vezes
não dizia nada
mas se se ria
ninguém a calava

A menina Lucia
mui dela gostei
uma cara simpática
que eu adorei

E a menina Fátima
os seus estudos
quer continuar
e atrás dela
me quer levar

A menina Ana
quis ficar na frente
porque não via
pouco falava
mas algo aprendia

E a Natalina
sempre se queixando
de que nada sabia
mas foi-se esforçando
e as boas notas
foi alcançando

A D. Joaquina
Senhora,
duma certa idade
já depois de avó
assim como eu
pegou a sacola
regressou à escola
voltou a menina

No meu coração
a todos guardei
e os bons momentos
hoje e sempre
recordarei.

Fernanda, uma antiga aluna minha.
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O meu grande amigo Paulo...

" A ajuda vem sempre de uma mão, mas em 1º lugar de um pensamento, é a dor que nos faz crescer, tenta-se roubar-lhe o negativo e transformar-lo em positivo".

"Oculto do Humanismo

Gostava de saber o que aqui escrevi.
Não é sincero o que digo, agora.
Mas conheço algo que me ajuda, atormenta, EU.
As pessoas nunca estarão fartas de ler ou ouvir isto.
Simplesmente nunca vão conseguir acreditar em quem as rodeia, nelas próprias.
Só saberão aquilo que querem, quando já não o puderem alcançar,.
E no fim não conseguem crer que existe alguém que pode ganhar com a ideia."

"Só consigo erguer os outros

Aquela palavra que vive no preto e branco
que questiona o olhar!
Momento, sorriso,
inevitavelmente nunca poderá conhecer terra firme.
Livremente, trémula responde-te ao apelamento.
Acredito que dói mas tem que se guardar em segredo
Mas por que passos luminosos caminhais vós senhora?
Não vedes que na incerteza se sonha o amanhã, que com vontade acontece, senhora"

Paulo Simões, 1993
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